Psicologia para ler a vida comum com mais leveza.

Textos sobre o que sentimos, sobre o que nos atravessa e sobre o que, aos poucos, vamos aprendendo a nomear. Um espaço de reflexão, metáforas e vida real.

Não é sobre respostas prontas.
É sobre olhar com mais cuidado.

A vida não vem com manual, e está tudo bem. Aqui, a psicologia encontra o cotidiano para nos ajudar a compreender o que sentimos e a escolher com mais consciência o que queremos cultivar.

Talvez o que você procura não seja uma resposta, mas um espaço seguro para se escutar.

Textos recentes

Delírios de Segunda

Para muita gente, a segunda-feira carrega o peso do tédio ou da obrigação. Para mim, ela tem cheiro de recomeço.

Caminhos de leitura

Delírios de segunda

Reflexões profundas e criativas sobre a vida a partir do cotidiano.

Com amor, Psi

A prática clínica sistêmica com leveza, cuidado e ética.

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Cinema, séries e livros através da Psicologia Sistêmica.

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Encontros colaborativos de psicologia sistêmica: teoria e afeto.

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Reflexões, clínica, cultura e estudos pela Psicologia Sistêmica.

Texto em destaque

Delírios de segunda

O balanço da rede e a arte sagrada de abraçar o que nos aperta

Para muita gente, a segunda-feira carrega o peso do tédio ou da obrigação. Para mim, ela tem cheiro de recomeço. Nasci em uma segunda-feira e, desde sempre, cultivo uma relação profundamente afetiva com esse dia: ele representa a abertura de um novo ciclo…

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Espaços de cuidado, Supervisão e Formação

Além do portal, Patrícia Caldeira também oferece acompanhamento, orientação e experiências formativas para profissionais, estudantes e pessoas em busca de cuidado clínico.

Psicologia em linguagem simples

Amor

O senso comum diz: Amar é encontrar a sua “metade da laranja” 

Reciprocidade

O senso comum diz: Ser recíproco é funcionar na lógica matemática do “bateu, levou” 

Ansiedade

O senso comum diz: Ansiedade é o medo do futuro ou a falta de controle sobre os acontecimentos da vida

Dependência
emocional

O senso comum diz: Dependência emocional é um “excesso de amor” ou o apego extremo

Relação
tóxica

O senso comum diz: Relação tóxica é sinônimo de brigas constantes e ciúmes excessivos

Sobre a autora

PATRÍCIA CALDEIRA

Há quem veja a psicologia como uma escolha de mercado. Para mim, ela sempre foi uma escolha de afeto. No final dos anos 90, quando decidi trilhar este caminho, fui movida por um chamado profundamente pessoal e afetivo.

O tempo passou, os anos de estudo se acumularam, mas aquela mesma paixão inicial permaneceu intacta — e se tornou o alicerce de tudo o que construí até aqui.

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Leituras e reflexões para te acompanhar no cotidiano.

Amor

O senso comum diz: Amar é encontrar a sua “metade da laranja”(ah, Fabio Junior!!!)e viver um romance idealizado, onde o sentimento depende de o outro preencher todas as nossas expectativas e nos fazer feliz o tempo todo.

A Psicologia Sistêmica explica: Longe dos roteiros de cinema e das músicas de Fabio Jr., o amor real é o “amar apesar de”. Sob a lente do biólogo e pensador sistêmico Humberto Maturana, o amor é uma necessidade biológica e a emoção que funda o nosso ser social. Amar significa aceitar o outro como um legítimo outro na convivência.

Não é amar a projeção que criamos, mas acolher o sujeito na sua totalidade, com suas luzes e suas sombras. É esse afeto genuíno e livre de idealizações que nos mantém vivos, conectados e verdadeiramente humanos.

Reciprocidade

O senso comum diz: Ser recíproco é funcionar na lógica matemática do “bateu, levou” ou do “toma lá, dá cá”. Se eu dou um presente, espero receber outro de igual valor; se eu mando uma mensagem, o outro precisa responder na mesma moeda. Vira uma contabilidade afetiva rígida.

A Psicologia Sistêmica explica: Longe de ser uma troca de mercadorias, a reciprocidade real está na intencionalidade e no significado coconstruído na relação. Inspirada na Teoria da Comunicação Humana de Paul Watzlawick, a sistêmica compreende que cada gesto carrega uma mensagem profunda sobre o vínculo.

Ser recíproco não é devolver o ato “A” com o ato “A”, mas sim acolher o sentido da entrega do outro e responder com presença, afeto e validação, cada um a partir do seu próprio repertório. É sobre sintonizar na intenção do cuidado e não na repetição do comportamento. 

Ansiedade

O senso comum diz: Ansiedade é o medo do futuro ou a falta de controle sobre os acontecimentos da vida, uma espécie de “excesso de preocupação” que se resolve apenas tentando se acalmar.

A Psicologia Sistêmica explica: Sob a lente de Luigi Boscolo e Paolo Bertrando na obra Os Tempos do Tempo, a ansiedade é, fundamentalmente, uma desconexão com a temporalidade do presente. O sofrimento surge quando o sujeito entra em descompasso com o momento atual, acelerando o seu tempo interno em uma tentativa disfuncional de controlar o incontrolável: o futuro. Essa fixação no amanhã gera uma incapacidade de se sentir nutrido pela realidade concreta e pelos vínculos que acontecem no aqui e agora.

Na clínica sistêmica, quando usamos técnicas de ancoragem — como focar na respiração, notar os objetos ao redor ou contar os ladrilhos da sala —, o objetivo não é “controlar os pensamentos”, mas sim reatar o fio que nos liga ao presente, lembrando ao corpo e à mente que o único tempo onde a vida e o cuidado acontecem é o agora.

Dependência emocional

O senso comum diz: Dependência emocional é um “excesso de amor” ou o apego extremo a alguém que nos faz muito bem e sem quem não conseguimos viver.

A Psicologia Sistêmica explica: Longe de ser um transbordamento de afeto, a dependência emocional — que caminha lado a lado com a codependência — opera pela lógica da complementariedade disfuncional. Sob a lente de teóricos sistêmicos como Murray Bowen (com o conceito de indiferenciação do self) e Salvador Minuchin (sobre fronteiras emaranhadas), a dependência não se nutre do que o outro oferece de positivo, mas sim do encaixe com os nossos vazios e dores mais primitivas.

Muitas vezes, escolhemos parceiros que reforçam nossos scripts familiares negativos e nossa sensação de insuficiência. O dependente se valida no “não” e na rejeição do outro porque, no fundo, seu sistema interno não se sente merecedor do “sim”. É um ciclo onde os dois membros mantêm o funcionamento rígido do sistema, confundindo fusão emocional com conexão real.

Relação Tóxica

O senso comum diz: Relação tóxica é sinônimo de brigas constantes, ciúmes excessivos e que o oposto do amor nesses cenários é o ódio.

A Psicologia Sistêmica explica: Longe dos clichês, a verdadeira toxicidade em um vínculo é sinônimo de desamor. Sob a perspectiva de Humberto Maturana, o oposto do amor não é o ódio, mas sim a negação do outro como legítimo outro na convivência. Uma relação se torna tóxica quando ela desnutre o sujeito de si mesmo através da não aceitação de sua autenticidade.

É aqui que cruzamos com a Terapia Narrativa de Michael White: a dinâmica tóxica funciona impondo uma “narrativa saturada de problemas” sobre a identidade do parceiro. O olhar e o discurso contínuo de desaprovação do outro fazem com que o sujeito passe a se olhar e a não se amar, sentindo-se indigno de afeto. A toxicidade, portanto, é uma violência invisível que ataca o autoamor e anula a legitimidade do existir.